
Chamei Alice pra tomar um vinho (eu sei que a Alice do Carroll não beberia vinho, mas a minha Alice bebe vinho comigo, e inclusive abre o vinho, porque eu quebro a rolha toda vez que tento fazer isso).
No atual momento estou encolhida (um pouco maior que um palito de dentes, e mais gorda também). Nada melhor do que "Alices" para entender.
Mas ela não me deu uma poção, e, depois da terceira taça de vinho ela nem sabia por onde poderíamos começar a procurar o chapeleiro, o coelho, ou qualquer ser vivo que tivesse uma poção, mesmo porque, nesta época do ano todos viajam.
Paramos num lugar com poucas luzes e muitos barulhos.
Encontramos Dorothy, Angelina Jolie, Amélie Poulain, todas essas personagens que não existem mas a gente teima em ter uma puta identificação com elas ao final dos filmes. Bullshit, elas sempre acabam em casa, ou com o Brad Pitt, ou com um grande amor, enquanto nós acabamos bêbadas na primeira festa que encontramos numa cidade abandonada pelo final de ano.
Eu ainda estava encolhida, acho que foi o vinho, ou o cara que me trocou por uma menina que o convidou para uma noite de sexo. Não lembro direito, mas eu precisava voltar ao tamanho normal, para não precisar ser carregada nos ombros de Alice e poder pedir meu próprio drink.
Finalmente, eis que chega alguém. Eu não sei bem quem é, não pude perguntar seu nome, antes que ele saísse rodopiando comigo pelo salão. Comecei a voltar ao tamanho normal, e a dançar como sempre gostei de dançar. Durou uma música. O suficiente para que eu não estivesse mais encolhida e para eu poder acreditar que foi real.
Depois dos rodopios, e quando eu já estava do meu tamanho usual, Alice me levou embora.
Eis que acordo num jardim, e meu carro está transformado em abóbora.