terça-feira, 30 de dezembro de 2008

fica

- Assim que você segurou minha mão parou de doer.
- Onde dói?
- Bem aqui. Nem conseguia sorrir.
- Então fica!
- Bem que eu queria...
- Fica e sorri pra sempre. Teu sorriso também me faz bem.
- Fico mais um pouco. Guarda meu sorriso
- Guardo o meu sorriso quando vejo o teu.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Wonderland


Chamei Alice pra tomar um vinho (eu sei que a Alice do Carroll não beberia vinho, mas a minha Alice bebe vinho comigo, e inclusive abre o vinho, porque eu quebro a rolha toda vez que tento fazer isso).
No atual momento estou encolhida (um pouco maior que um palito de dentes, e mais gorda também). Nada melhor do que "Alices" para entender.
Mas ela não me deu uma poção, e, depois da terceira taça de vinho ela nem sabia por onde poderíamos começar a procurar o chapeleiro, o coelho, ou qualquer ser vivo que tivesse uma poção, mesmo porque, nesta época do ano todos viajam.
Paramos num lugar com poucas luzes e muitos barulhos.
Encontramos Dorothy, Angelina Jolie, Amélie Poulain, todas essas personagens que não existem mas a gente teima em ter uma puta identificação com elas ao final dos filmes. Bullshit, elas sempre acabam em casa, ou com o Brad Pitt, ou com um grande amor, enquanto nós acabamos bêbadas na primeira festa que encontramos numa cidade abandonada pelo final de ano.
Eu ainda estava encolhida, acho que foi o vinho, ou o cara que me trocou por uma menina que o convidou para uma noite de sexo. Não lembro direito, mas eu precisava voltar ao tamanho normal, para não precisar ser carregada nos ombros de Alice e poder pedir meu próprio drink.
Finalmente, eis que chega alguém. Eu não sei bem quem é, não pude perguntar seu nome, antes que ele saísse rodopiando comigo pelo salão. Comecei a voltar ao tamanho normal, e a dançar como sempre gostei de dançar. Durou uma música. O suficiente para que eu não estivesse mais encolhida e  para eu poder acreditar que foi real.
Depois dos rodopios, e quando eu já estava do meu tamanho usual, Alice me levou embora.
Eis que acordo num jardim, e meu carro está transformado em abóbora.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

entre notas e linhas



Linha, agulha, bastidor, fazenda. Eu não sabia bordar!
Sabia cantar!!! Isso sim, enrolava com os bordados porque cantava muito, e todos adoravam ouvir-me, enquanto a agulha e a linha passeavam entre meus dedos, e, ao fim do dia, um ou dois pontos eram acrescentados à toalha.
Nesse dia eu não consegui cantar, e me vi obrigada a passar aquelas linhas coloridas entre o tecido, formando um desenho. Não havia música que eu acertasse o tom, nem música que o pianista não errasse as notas, nem música que sobrevivesse aos desencontros vocais.
Era isso, ia me concentrar no bordado e me esqueceria que o músico era outro. Um, dois, três pontos de linha vermelha, pula cinco casas, mais três pontos de linha vermelha... no final da quinta linha eu já tinha que desmanchar tudo, segundo minha mãe, devido aos erros gravíssimos de casas e cores e pontos.
Foi assim,desde que ele parou de tocar, eu parei também de cantar. Ele deve estar tocando ainda para outras vozes, e eu ainda tento me distrair bordando e desmanchando toalhas, e cantando baixinho quando ninguém está por perto.
De toda forma,o enxoval não vai ficar pronto a tempo, seja qual for esse tempo...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Conversa editada de bar

Não, não, moço, eu não estou chorando,eu só queria uma cerveja. Eu já disse que não estou chorando, é que meus olhos são muito sensíveis à luz. Ah, eu não percebi que estava bem escuro aqui, de toda forma tem umas luzinhas se mexendo que fazem meus olhos se encherem de lágrimas, e elas pulam pra fora com uma imensa facilidade. (...) 
Mais duas, por favor? Não, eu não devia parar, moço, não são essas garrafinhas que me fazem ficar assim. OK, eu admito, estou chorando pra caralho, minhas olheiras são resultado das noites que não durmo mais, e as cervejas são pra eu conseguir dormir um pouco. Mais duas! (...)
Não, obrigada! Eu já disse que não quero mais moço, estou bem. Não, eu disse que estou bem no sentido de que não quero mais. É claro que eu não estou bem! Eu pareço bem pra você? Gostaria que não me servisse mais, estou bem! (...)
Moço, por que você está me levantando e me colocando no carro? Você não deveria estar trabalhando ainda, no bar? Ahhh, bem que eu achei que eu te conhecia mesmo...eu tava te confundindo com o garçom!!! É que essas luzes confundem minha visão quando misturadas com as lágrimas. De toda forma, obrigada por ser meu amigo. Eu vou chorar mais um pouquinho, fica do meu lado? Assim não parece que estou tão sozinha, por enquanto ao menos. Traga mais uma?

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

e os cheiros

- Pra você...
- (cheiro) Lindas!
- Como seu sorriso ao receber
- (...) Sente o cheiro da Noite?
- Da noite?
- Sim, as noites de dezembro têm cheiro. Desde criança eu sinto cheiro de noite nas noites de dezembro.
- Deve ser o calor
- Deve ser. E o Natal. Natal também tem cheiro. Está chegando o Natal.
- Natal tem cheiro?
- Assim como as noites de dezembro. Embora mudem os presentes, as cidades onde passo o Natal, as pessoas em volta, o cheiro é o mesmo.
- Sempre?
- Sempre! 
- (...)
-Me abraça que eu gosto do cheiro de abraço nas noites de dezembro...

Apresentação

Viviane.
Sagitário com ascendente em câncer.
Danço conforme a música (desde que não seja nenhum barulho eletrônico).
Publicitária pela PUC-PR, auxiliar administrativa pela carteira de trabalho, atriz pelo Sated- PR, produtora de elenco pelas contas da vida.
Tenho alergia a camarão. A arrogância, mentira e falta de respeito também.
Nasci em 1983, em dezembro, dia 20
Gosto de cheirar e morder, do coração quando bate forte e da sensação de ficar molhada aós o banho.
Abraço travesseiro para dormir.
O blog é por causa das mordidas, fique à vontade para dar as suas.